"SER" ESCREVER

"O QUE EU SOU E O QUE EU ESCREVO SÃO UMA COISA SÓ. TODAS AS MINHAS IDÉIAS, TODOS OS MEUS ESFORÇOS, EIS O QUE SOU." (C.G. JUNG)
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dúvidas despedaçadas - 13/09/1995


Meu coração é formado por dúvidas despedaçadas.
Observando-me com cuidado, sinto-me sondado, pelo fim do que desejo.
Longe da sanidade, a terra onde fui fecundado, agora me envenena com a covardia e a fuga.
Desespero e ansiedade: locais em que caminho sem pensar.
Vênus onde estás tu, me vendo trair e não alimentando a Dama do Fogo?
Meu socorro é uma arma, em que vou viajar, com um tiro certeiro.
Navegando no sangue escorrendo, observarei a fumaça do destino errado.
Amo algo perdido. Talvez no tempo, ou na memória, talvez no sonho, na carência.
Adeus, nada absoluto.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

SONHO: ESCADARIA ESCURA, PESSOAS ESTRANHAS E JANELA ILUMINADA (24/01/2008)



Eu estava à procura de uma mulher com sua filha. O que me levava a isso, é um fator que desconheço. De imediato, já me via prostrado de frente à porta de madeira de uma casa, cuja parede externa era de cor cinza, deixando evidente que á pouco tempo, havia sido rebocada. Ao bater, fui atendido de rapidamente, mas não pude ver quem me atendeu. Tenho a impressão de que fosse uma senhora de idade bem avançada. Do lado de dentro da porta, o ambiente de cortiço era escuro, salvo por alguns filetes de luz que entravam pelo teto todo de telhas, iluminando as dobras dos degraus mal acabados da escadaria comprida, que descia, acompanhada por uma parede rústica, sem corrimão. Do lado esquerdo, logo nos primeiros metros de descida, havia um corredor lateral e pude identificar uma porta aberta. No interior desta porta, uma cozinha, onde as paredes eram cor-de-rosa de tom forte. Uma pequena mesa de mármore com cadeiras de ferro, de cor branca. Na parede, a imagem de um santo (que não consegui identificar) num calendário e um terço pendurado sobre este. Saindo deste corredor, descendo ainda mais a escadaria, também do lado esquerdo, um pequeno corredor e a porta um pouco entreaberta de outra casa, por onde saia um facho de luz, cuja identificação eu tive somente de paredes azuis. Sentia que ali, morava a senhora que eu imaginava ter aberto a porta principal. Um pouco mais abaixo, no final da escadaria, havia uma casa, também do lado esquerdo, e também com a porta aberta. Dentro desta, dois homens, um deles moreno, sem camisa, de bermuda jeans, estava sentado com os pés sobre o sofá, com ar de deboche, assistindo televisão, cuja movimentação das imagens e cores, refletiam em seu rosto e peito. Ao seu lado, não exatamente assistindo, outro homem moreno, um pouco mais auto e forte, de cabelos negros e costeletas compridas, com sapatos negros, calça social e camisa quadriculada, falava olhando para o colega. Quando percebi, haviam interrompido sua ação e me observavam com olhar de receio. A impressão que eu tinha é que eles eram de má índole. Imediatamente, virei para o lado e me vi, abrindo a porta que estava a minha frente, ao lado da casa dos morenos. Entrei nesta casa. Encostei a porta. Era apenas um cômodo. As paredes não tinham reboque e, em alguns pontos, chegava a aparecer os tijolos vermelhos. Ao lado direito, uma cômoda antiga de madeira, marrom escura, com três gavetas grandes e podes e vidros coloridos sobre a mesma. Ao lado esquerdo, uma cama de ferro de cor branca, com uma colcha entre vinho e branco, bem limpa e cheirosa. À frente, um carrinho de bebê azul marinho, com chocalho e panos com desenhos infantis (ursos, palhaços, borboletas) era iluminado pelo sol, que entrava por uma janela aberta, de onde chegava maciça da luz, que perpassava a bela cortina branca de renda. Logo abaixo da janela, um pequeno criado-mudo com um abajur de amarelo de cerâmica. Não resisti e olhei pela janela. Ao fundo, belas arvores com pássaros cantando sem seus galhos. Era final de tarde. A mulher que eu procurava, não estava. Quando dei por mim, já estava saindo pela porta. Subindo rápido a escadaria, percebi que os dois homens morenos me observavam da porta. Subindo mais, vi a velha senhora, de frente de sua casa, agora com a porta escancarada, com as paredes azuis e sem móveis. Ela aparentava mais de oitenta anos, usava sapatilhas e calça de cor preta, camisa preta com flores brancas. Sorria de forma estranha, sem vida. Subindo em direção a saída, observei que enfrente a casa de paredes rosadas, duas senhoras gêmeas, altas, com idade próxima aos setenta anos, de cabelos loiros e lábios pintados de batom vermelho, usavam blusa de manga curta amarela e bermudas brancas (soavam-me grotescas!). Cochichavam movimentando as mãos como se estivessem tricotando, olhando-me com olhar assustado. Passei por elas e, já com grande agonia para sair daquele local, caminhava rapidamente, escadaria acima. Parecia nunca chegar até a porta! Quando isso aconteceu, estendi minha mão e segurei a maçaneta, rodando-a com pressa...

Foto: Jorge Santos

SONHO: SER, EU NÃO SOU, SÃO FRANCISCO DE ASSIS... EIS A QUESTÃO... (29/01/2008)



No sonho que tive, na noite passada, eu estava junto a um grupo de pessoas, cuja quantidade não consigo definir exatamente: aparentemente duzentas pessoas, entre crianças, jovens e adultos. Um grupo de mais ou menos cinqüenta, permaneciam perto de mim o tempo todo. Os demais se espalhavam pelo local. As crianças brincando os adultos curiosos com a natureza. Estávamos em uma região de campo, mas que apresentava velhos galpões industriais, abandonados, tendo seu interior tomado por pedaços de máquinas, madeira e pedras, espalhados por todos os lados. Brotavam das engrenagens enferrujadas das máquinas, capim e pequenas flores. Pude contemplar estas imagens, da porta de um destes galpões, sem entrar no seu interior. Alguns adolescentes olhavam as mesmas coisas que eu, acompanhando minha narração daquilo que eu percebia. Logo, eu estava em um lugar, como que uma pequena cidade. Aparentemente não percebia população local. Havia uma igreja bem no centro, com arquitetura antiga, algo parecido com o gótico, nada monumental, mas de um estilo mórbido, sombrio. Possuía duas torres, com a nave centralizada e estátuas de santos, todas quebradas, encravadas em nichos, por toda sua frente. As partes altas da torre tinham algumas aberturas com fundo sombrio, no local que corresponderia à estadia do sino. A porta da frente era velha e acinzentada como toda a estrutura do local. Logo a frente uma escadaria com duas muretas que abriam para o largo central da praça. Uns vinte metros à frente, no chão, haviam lápides encravadas, compondo um pequeno cemitério de pedra, com uma quantidade de sepulturas que não passava de cinqüenta. Sentados ao lado de algumas destas sepulturas, homens e mulheres pobres miseráveis, pediam comida ou alguma ajuda. Ao passar pelo meio do cemitério, sempre acompanhado por um grupo de pessoas, uma mulher muito velha, envolvida por vestes de pano marrom e preto, com um lenço sobre a cabeça, me pediu uma ajuda. Antes que eu pudesse responder, veio um homem, coberto por panos imundos, apresentando parte do rosto coberto por feridas, me estendeu a mão que, por pouco não se desfazia em lepra, para pedir. Outros pedintes foram se aproximando e fazendo seus queixumes e ladainhas. Passei a me desesperar, e repetia constantemente “não sou São Francisco de Assis... não sou São Francisco de Assis!”. Até que uma jovem mulher, de cabelos loiros na altura do ombro, olhos azuis muito vivos e arregalados, apareceu e, me puxando pelo braço, dizia que “as beatas chegariam em breve com a comida”. Imediatamente todos os pedintes se afastaram e se sentaram no chão. Enquanto saía, olhava para trás e todos eles me observavam de forma que não conseguia destinguir o que expressavam. Os olhares eram de uniformidade e não diferenciava em cada um dos rostos que tomou...

Imagem: São Francisco de Assis, por Caravaggio

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